A campanha de comunicação e sensibilização para a reciclagem de vidro intitulada “Vidrados no Ambiente”, dinamizada pela Maiambiente em parceria com o Electrão, incentivou os estabelecimentos comerciais do canal HORECA (Hotéis, Restaurantes e Cafetaria) da Maia a aperfeiçoar as práticas de separação do vidro para reciclagem.

Neste concelho, o setor HORECA tem já desempenhos muito elevados, em termos de separação de embalagens de vidro, que foram maximizados com esta campanha. O vidro encontrado nos contentores de indiferenciado dos espaços comerciais envolvidos é actualmente residual e o material recolhido está praticamente livre de contaminação.

Estas são algumas das conclusões da iniciativa, que foram apresentadas na Quarta-Feira, 13 de Maio, na sessão de encerramento da campanha, que decorreu na casa do Corim, na Maia.

O objectivo da campanha foi amplamente cumprido e alcançou 99% dos 300 estabelecimentos que pretendia envolver. Dos 297 estabelecimentos visitados, no âmbito do projecto, 262 (88%) foram alvo de monitorização e a grande maioria (64%) aceitou as propostas de melhoria.

O projecto permitiu concluir que “os modelos de elevada conveniência e comodidade”, como a recolha Porta-a-Porta, usado na maior parte dos estabelecimentos em causa, conduzem a bons resultados na separação e podem, também, ser direcionados para impulsionar a correcta separação de outros fluxos, nomeadamente papel e cartão de embalagem e resíduos alimentares.

As conclusões revelam que são sobretudo os funcionários dos espaços comerciais que participam na separação dos resíduos. A grande maioria dos colaboradores dos estabelecimentos em análise tem conhecimento sobre a importância da reciclagem e sobre as regras de separação das embalagens de vidro.

As várias fases da campanha

 

O projecto teve início em Setembro de 2025 com os primeiros contactos e visitas presenciais a 300 espaços comerciais do canal HORECA da área de abrangência do município, onde vivem mais de 141 mil habitantes.

Seguiu-se o diagnóstico com recurso a questionário efectuado pela equipa no local para avaliar o processo de separação de resíduos dentro do estabelecimento e foi, também, analisada a qualidade de separação, assim como a adequação dos materiais e sinaléctica.

Decorreram ações de formação em cada estabelecimento e foram distribuídos materiais promocionais de suporte à campanha, como folhetos, aventais e abre-cápsulas, que foram usados pelos estabelecimentos envolvidos. A monitorização dos resultados arrancou um mês após a visita.

A iniciativa previa impactar mais de 90 mil pessoas ao chegar a 300 estabelecimentos do canal HORECA com elevado potencial de produção de vidro, estendendo-se aos colaboradores dos estabelecimentos, familiares, clientes e população em geral.

Na sequência da campanha a Maiambiente aumentou a capacidade instalada em mais de 157 metros cúbicos por ano, prevendo, após o projecto, a recolha de mais 63 toneladas/ ano de vidro, o equivalente a 200 quilos por cliente sensibilizado/ ano.

Estabelecimentos com melhores práticas distinguidos com selo

 

No âmbito da campanha foram, ainda, distinguidos com selos de reconhecimento os estabelecimentos com melhores práticas implementadas, “mediante uma avaliação imparcial e rigorosa com base nos resultados de diagnóstico e de monitorização do impacto da acção”.

A atribuição dos selos, divididos em três escalões (ouro, prata e participação), teve em conta critérios como as práticas e processos internos de separação; o grau de adesão à campanha; a qualidade da separação e o uso de elementos promocionais.

Cinco estabelecimentos conquistaram o selo de ouro (Oporto Airport & Business Hotel; Steak House Portuguesa da Maia; Rio Steak House; Café Vilar Luz; Café Frejufe), 25 alcançaram o selo prata e os restantes 267 o de participação.

Vidro com uma meta ambiciosa para cumprir

 

A recolha do vidro em Portugal continua estagnada, de acordo com os dados nacionais do Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de Embalagem (SIGRE). A taxa de retoma nacional rondou os 54% em 2025, falhando assim a meta de 65% prevista para esse ano e continuando longe do objectivo de 75% que Portugal tem que cumprir até 2030.

A aposta em projectos de inovação ligados ao canal HORECA, como este, é uma das estratégias que pode potenciar o aumento da reciclagem de embalagens de vidro de forma que Portugal consiga alcançar a meta.

 

Para o CEO do Electrão, Pedro Nazareth, “projectos como este devem ser ampliados, sobretudo no canal HORECA, que concentra quase metade do vidro consumido e que é por isso um sector crítico para alavancar a reciclagem deste material”. “Os resultados da campanha ‘Vidrados no Ambiente’ mostram que o caminho está identificado: é preciso actuar onde o impacto é maior, com soluções concretas, adaptadas aos desafios de cada local e de proximidade. Se conseguirmos escalar este tipo de iniciativas, conseguiremos que o vidro deixe de ser um problema e passe a ser um verdadeiro exemplo de economia circular em Portugal”

CEO do Electrão, Pedro Nazareth

De acordo com o PERSU2030, os municípios e Sistemas de Gestão de Resíduos Urbanos [SGRU] deverão contribuir com a retoma de 95% das embalagens de vidro presentes nos resíduos urbanos. “A Maia já está muito próxima desta meta, fruto do trabalho de excelência que a Maiambiente tem desenvolvido nos últimos anos. Oferecemos aos nossos clientes um serviço de proximidade, com soluções à medida, e isto tem permitido alcançar excelentes indicadores, como os que se atingiram no primeiro trimestre do ano em que alcançámos 6021 toneladas de reciclados, dos quais 877 toneladas correspondem a vidro. 40,5% dos resíduos urbanos do município são enviados para preparação para reutilização e reciclagem”

Presidente do Conselho de Administração da Maiambiente, Marta Peneda

Este é o único tipo de embalagem que é simultaneamente reutilizável e infinitamente reciclável, num ciclo fechado e infinito, sem qualquer perda de qualidade. Quando não separado o vidro pode demorar 1 milhão de anos a decompor-se.  Reduzir o consumo de matérias-primas virgens, usando casco de vidro para o fabrico de novas embalagens, reduz o consumo de energia e consequentemente as emissões de CO2.