O Electrão recolheu e encaminhou para reciclagem 1.210 toneladas de pilhas e baterias, entre Janeiro e Agosto de 2026, o equivalente a 71% do total alcançado em 2025, ano em que foram recicladas 1.704 toneladas de pilhas e baterias no sistema gerido pelo Electrão.

As baterias industriais representam a maior parcela das recolhas, com 928 toneladas, seguindo-se 263 toneladas de pilhas e baterias portáteis, 15 toneladas de baterias de veículos elétricos e mais de 3 toneladas de baterias de meios de transporte leves, como bicicletas e trotinetes elétricas.

Os resultados refletem a crescente utilização de baterias na mobilidade, nos equipamentos eléctricos e nos sistemas de armazenamento de energia, mas também a expansão da rede de recolha. O Electrão dispõe, actualmente, de 11.288 locais para entrega de pilhas e baterias usadas em todo o país, mais 10% do que no início do ano. Os pontos de recolha mais próximos podem ser consultados em ondereciclar.pt.

"A electrificação da economia está a aumentar rapidamente a quantidade e a diversidade de baterias colocadas no mercado. Precisamos de acompanhar essa transformação com maior capacidade de recolha e reciclagem, para recuperar matérias-primas críticas e evitar que estes resíduos sejam descartados incorrectamente"

Director-Geral de Eléctricos e Pilhas do Electrão, Ricardo Furtado

Reciclagem de baterias de lítio ganha capacidade nacional

 

Portugal já dispõe de uma unidade de reciclagem de baterias de lítio que é parceira operacional do Electrão: a b.again. Desde a entrada em funcionamento da unidade, o Electrão já enviou para a b.again mais de 100 toneladas de baterias, maioritariamente de lítio.

A parceria operacional entre o Electrão e a b.again permite tratar estes resíduos em Portugal, reduzindo a necessidade de recorrer a unidades no estrangeiro, fortalecendo a indústria nacional da reciclagem e contribuindo para o desenvolvimento de uma cadeia de valor nacional ligada à reciclagem de baterias.

As baterias de lítio estão presentes em veículos eléctricos, bicicletas, trotinetes, telemóveis, computadores, ferramentas e sistemas de armazenamento de energia. A sua reciclagem permite recuperar materiais como lítio, cobalto, níquel, manganês e cobre, considerados estratégicos para as indústrias europeias da energia, mobilidade e tecnologia.

A b.again, empresa do dstgroup dedicada à circularidade e às soluções para o ciclo de vida das baterias, iniciou a sua actividade em 2022 e conta actualmente com 23 colaboradores. A unidade industrial, localizada em Braga, dispõe de uma capacidade instalada de processamento de até 7.000 toneladas de baterias de iões de lítio por ano, abrangendo diferentes tipologias, aplicações e químicas, de acordo com a empresa.

A b.again dispõe ainda de capacidade logística especializada para a recolha e transporte de baterias em todo o território nacional, incluindo soluções adequadas às diferentes tipologias e condições de segurança das baterias.

O processo de tratamento inclui diagnóstico e descarga das baterias, desmantelamento, trituração e separação das diferentes frações, permitindo recuperar massa negra, cobre, alumínio, ferro, plásticos e outros materiais valorizáveis.

A tecnologia utilizada baseia-se num processo de trituração mecânica a seco, realizado a baixa temperatura, pressão e atmosfera inerte, permitindo alcançar uma recuperação de materiais superior a 95%. Os materiais recuperados podem ser reintegrados em diferentes cadeias de valor industriais, com particular destaque para a recuperação de matérias-primas críticas e estratégicas utilizadas na produção de novas baterias, contribuindo para uma cadeia de valor mais circular e sustentável.

 

Baterias tornam-se um recurso estratégico

 

A reciclagem de baterias permite a recuperação de vários materiais e reduz a necessidade de extracção de novos recursos contribuindo para diminuir a dependência europeia de matérias-primas importadas.

"O desafio já não é apenas ambiental. É também estratégico e económico. Quanto mais conseguirmos recolher e reciclar, maior será a disponibilidade futura destas matérias-primas para apoiar as transições energética e digital"

Ricardo Furtado

Apesar do crescimento das recolhas, continuam a existir pilhas, baterias e equipamentos com baterias incorporadas acumulados em casas, empresas e armazéns. Outros acabam no lixo indiferenciado, dificultando a recuperação dos materiais e potenciando riscos ambientais e de segurança.

O Electrão alerta, por isso, para a necessidade de entregar estes resíduos em pontos de recolha próprios e nunca os colocar no lixo comum.

 

Novas regras europeias elevam as exigências

 

O Regulamento Europeu das Baterias introduz metas progressivamente mais exigentes para a recolha e reciclagem destes resíduos, bem como para a incorporação de matérias-primas recuperadas no fabrico de novas baterias.

Neste contexto, o Electrão considera prioritário expandir a rede de recolha, sensibilizar os consumidores e reforçar a colaboração com empresas, municípios, distribuidores e operadores de gestão de resíduos.

A separação e o encaminhamento corretos das pilhas e baterias usadas permitem prevenir riscos, reduzir o impacto ambiental e recuperar materiais fundamentais para a transição energética.

A presença do Electrão em organizações europeias de referência como a EUCOBAT e o WEEE Forum reforça o papel da entidade na definição das políticas e das soluções que irão moldar o futuro da recolha e reciclagem de baterias na Europa.